Tio Cláudio


banner

Gostaria de opinar sobre os serviços de hospedagem disponíveis atualmente no Brasil que vem se modificado e deixando muita gente chateada.

Vamos falar um pouco de história

Bem pouco tempo atrás, começou assim o serviço de hospedagem : o servidor era físico e evidentemente ligado em alguns poucos datacenters que compartilhavam hospedagem de sites.

Como não se podia prever quais vizinhos estavam no mesmo servidor que você, existia uma falta de padrão nos serviços prestados com muitas interrupções, lentidões e perda de dados.

Isso foi assim desde o final dos anos 90 até os anos 2000…

À partir de 2002 mais ou menos serviços de servidores dedicados começaram a ser oferecidos pelos provedores e assim – embora com o custo alto – você poderia ter privacidade e maior estabilidade.

acessar_rack_datacenter

Realmente esse período foi interessante porque dependendo do seu contrato você poderia visitar um datacenter e realizar uma intervenção fisicamente nele, o que era bem legal

Mas rapidamente esse tipo de serviço parou de ser oferecido em troca dos servidores dedicados compartilhados. Sim compartilhados!

Tive contato com muitos consultores e técnicos de datacenter e conheci como é feita a matemática da hospedagem.

No final dos anos 2000 começaram a ser oferecidos os servidores virtualizados (VPS), que criavam uma instância para seu uso, ou seja criam uma camada de isolação virtual entre as instâncias e limitando via software se assegura que o uso de cada hospedagem não afeta a próxima como ocorria nos servidores dedicados.

Isso funcionou muito bem tendo algumas empresas brasileiras que investiram nisso e prestaram bons serviços, apesar do custo ser relativamente baixo. Até hoje ainda é possível encontrar esse serviço à disposição.

Logo, de 2010 em diante criou a popularidade o famoso serviço cloudnas nuvens – que definitivamente iniciou a ruína de bons serviços disponíveis. Para começar, tecnicamente todo servidor virtualizado significa que está no cloud, porque está em muitos lugares simultaneamente na internet. Imaginem um datacenter com vários servidores conectados com um sistema de gerenciamento de virtualização – conhecido como pool – que faz com que todos os hardwares se unam, gerando um mega-computador e nele milhares de instâncias de hospedagens de servidores virtualizados.

Sim isso é o real significado de cloud.

A principal vantagem dessa configuração é que caso um hardware em específico como um pente de memória ou um hd venha a dar problema, ao invés de parar o serviço  todo apenas diminui insignificantemente a potência total desse cloud, por exemplo se tiver 1000 servidores num pool e um parar, apenas 0,001% de processamento à menos será impactado. Isso é mágica!

Mas tem um porém – ahhh – sim tem um porém. Claro que as empresas não perderiam a chance de agregar lucratividade nesse sistema, afinal ele é o mais interessante de hospedagem. Simplesmente para diferenciar do antigo serviço VPS criaram uma forma diferente de cobrança : servir e entregar um servidor virtual com suas configurações fixas (quantidade de RAM, de Cores, de espaço em disco) permitiram configurações flexíveis que possam ser modificadas à qualquer momento e cobrando proporcionalmente ao escolhido.

Como tudo nessa vida, tem prós e contra esse tipo de cobrança, vamos lá :

PRÓS

  • optimização de capacidade
  • possibilidade de mudança por demanda
  • alta escalabilidade
  • modificações sazonais

CONTRA

  • dificuldade de estimativa de custos
  • variação brusca de cobrança
  • super ou sub dimensionamento acidental
  • oferta de pacotes pode ser mudada a qualquer momento

 

E como está hoje?

 

mega-datacenter

Mas o cloud hoje sofre uma nova ameaça : a globalização. Não demorou para as empresas de hospedagem perceberem que essa virtualização poderia ser pulverizada, que poderia estar em mais de um lugar. Logo, ao invés de trazer recursos para o Brasil, ocorreu o inverso. Em países como Índia, Estados Unidos e alguns remotos da Europa foram construídos mega-datacenters. Verdadeiras cidades com milhares de servidores virtualizados oferecendo revenda para outros datacenters – agora virtuais – à um custo x benefício imbatíveis e causando uma concorrência desleal no serviço.

Como a maioria das hospedagens servem apenas para sites, não faz muita diferença – ou não é sensivelmente sentida pelos clientes – o tempo de resposta no serviço. Ou seja, se uma página demorar 150ms ao invés de 25ms fará muito impacto aos olhos dos clientes –   mas o valor da hospedagem cai sensivelmente.

Isso dificulta – e as vezes impossibilita – que pequenos desenvolvedores possam utilizar sistemas simples de hospedagem para rodar sistemas web (php?) porque além de lentos, podem ser muito falhos na entrega de pacotes. E isso afeta diretamente a qualidade do serviço oferecido como sistema.

Essa alta escalabilidade está sendo sentida também em serviços de grande porte. Recentemente, com a simples interrupção de alguns serviços da amazon.com cerca de 1/3 (1/3!!!) da internet saiu fora do ar por algumas horas.

Isso causou um enorme mau estar em muitas empresas e alguns criadores de opiniões começaram a se perguntar se é realmente necessária tanta exportação/migração de dados de servidores internos para o cloud.

Essa semana – com muita estranheza, confesso – a Microsoft anunciou que está migrando todo o código fonte do Windows – cerca de 300 Gb – para o Git (sistema de controle de versão distribuído). Não faz muito sentido, afinal eles oferecem o serviço Azure e outros na nuvem e poderiam criar seu próprio git sem necessidade de utilizar serviços terceiros…

vai entender?